O rover Perseverance da NASA, que explora a cratera Jezero em Marte desde fevereiro de 2021, voltou a surpreender o mundo com uma nova façanha científica. Em 12 de agosto de 2026, no seu dia marciano número 1.948 (cada sol dura aproximadamente 24,6 horas terrestres), o rover capturou um trânsito de Fobos, a maior lua de Marte, diante do Sol. Esse fenômeno, que não é um eclipse total devido ao pequeno tamanho e à forma irregular de Fobos, foi registrado com a câmera Mastcam-Z, um instrumento de alta resolução operado pela Arizona State University.
A NASA processou as imagens e as coloriu para simular a visão humana com óculos de proteção solar, permitindo apreciar com clareza a passagem da lua, que tem forma de batata e dimensões de 27 x 22 x 18 quilômetros. Embora pareça pequena, Fobos é um objeto fascinante: completa uma órbita ao redor de Marte em apenas 7,5 horas, ou seja, três vezes por dia marciano.
Um laboratório natural para estudar o futuro de Marte
O principal objetivo dessa observação é comparar múltiplos trânsitos para aperfeiçoar o conhecimento sobre a órbita de Fobos e sua evolução. Os cientistas sabem que Fobos está se aproximando de Marte a um ritmo de 1,8 metros a cada 100 anos, um movimento que, embora imperceptível na escala humana, é crucial para entender o destino do sistema marciano.
Segundo os modelos atuais, Fobos está em uma trajetória de colisão com Marte. Em cerca de 50 milhões de anos, poderá impactar a superfície do planeta vermelho ou, mais provavelmente, se desintegrar antes devido às forças de maré, formando um anel de detritos ao redor de Marte. Esse cenário, que lembra os anéis de Saturno, é um dos grandes mistérios que a ciência busca resolver.
Uma cratera que domina sua superfície
Fobos abriga a cratera Stickney, com 9,7 quilômetros de largura, que ocupa cerca de metade do corpo da lua. Esse impacto massivo, ocorrido há milhões de anos, deixou uma cicatriz impressionante que os cientistas estudam para compreender a história geológica do sistema marciano.
A missão Perseverance, que pousou na cratera Jezero em fevereiro de 2021, tem sido fundamental para essas descobertas. Além do trânsito de 12 de agosto, o rover já havia capturado um marco histórico em 2 de julho de 2026, quando conseguiu fotografar Fobos ocultando a Terra, uma imagem que combinou a pequena lua com nosso planeta em um mesmo enquadramento.
Colaboração internacional e tecnologia de ponta
A câmera Mastcam-Z, que capturou essas imagens, é operada pela Arizona State University, com a colaboração da Malin Space Science Systems e do Instituto Niels Bohr, da Universidade de Copenhague. O rover Perseverance é gerenciado pelo Jet Propulsion Laboratory (JPL) da NASA, sob o guarda-chuva do Caltech.
Esses dados não apenas alimentam a curiosidade científica, mas também ajudam a planejar futuras missões a Marte, já que compreender a órbita de Fobos é essencial para evitar colisões com satélites ou naves em órbita marciana.
Um futuro incerto, mas fascinante
O destino de Fobos é um lembrete de que os sistemas planetários estão em constante evolução. Enquanto a lua se aproxima lentamente de Marte, os cientistas continuarão monitorando sua órbita a cada trânsito. Na próxima vez que o Perseverance capturar um evento semelhante, os dados permitirão refinar os modelos e, talvez, antecipar com mais precisão quando e como Fobos encontrará seu fim.
Por enquanto, a humanidade pode se maravilhar com essas imagens que nos aproximam dos mistérios do cosmos e nos lembram que, mesmo no silêncio do espaço, há histórias para contar.