O Papa Leão XIV visitará a Argentina de 8 a 11 de novembro, em sua primeira turnê pelo país desde sua posse. Buenos Aires, Luján e Córdoba serão os destinos confirmados, enquanto o governo avalia decretar um feriado e prepara um esquema de segurança para receber milhões de fiéis.

Primeira visita papal em quase 40 anos

O Papa Leão XIV chegará à Argentina no domingo, 8 de novembro, e permanecerá até quarta-feira, 11, como parte de uma turnê sul-americana que incluirá também Uruguai e Peru. Será a primeira visita de um pontífice ao país desde a de João Paulo II em 1987, um marco que gera enorme expectativa na comunidade católica e na sociedade em geral.

Segundo fontes oficiais e eclesiásticas, os destinos argentinos serão a Cidade de Buenos Aires, Luján e Córdoba. O Vaticano ainda não publicou o itinerário definitivo, mas o governo e a Igreja já trabalham na organização da visita.

Os três cenários confirmados

  • Basílica de Luján: a ministra da Segurança, Alejandra Monteoliva, confirmou que se prepara uma missa com setores cobertos e descobertos, com capacidade estimada de milhões de pessoas.
  • Área Material Córdoba: o mesmo local onde João Paulo II celebrou missa em 1987, um lugar com forte valor simbólico para a Igreja argentina.
  • Monumento dos Espanhóis: localizado na interseção das avenidas Del Libertador e Sarmiento, no bairro portenho de Palermo, onde se prevê uma missa multitudinária ao ar livre.

O arcebispo de Buenos Aires, Jorge García Cuerva, confirmou que o Papa se hospedará na Nunciatura Apostólica (a embaixada da Santa Sé na Argentina) e adiantou que poderá usar o papamóvel em alguns trechos de seu percurso, embora ainda não haja precisões sobre quando e onde.

Feriado ou ponto facultativo?

O governo nacional avalia decretar um ponto facultativo durante a visita papal, com o objetivo de facilitar a participação dos fiéis. A possibilidade foi analisada na primeira reunião de coordenação entre autoridades nacionais e representantes da Igreja, realizada esta semana na Casa Rosada.

Segundo explicou García Cuerva, o Executivo analisa estabelecer um feriado ou ponto facultativo que permita garantir a mobilização das pessoas interessadas em participar das celebrações. No entanto, não há confirmação oficial sobre a data nem o alcance da medida: ainda não está definido se alcançará apenas a administração pública ou se terá efeitos mais amplos sobre a atividade laboral e educativa.

Esquema de segurança sem precedentes

A ministra Monteoliva detalhou que o esquema de segurança será conjunto entre forças federais, a Cidade, a província de Buenos Aires, Córdoba e todas as províncias. Serão criados comandos unificados e reforçados os controles em estradas e pontos estratégicos.

“Estamos trabalhando há tempo porque tivemos no final de junho uma avançada da equipe de segurança do Vaticano. Fizemos um primeiro percurso pelos possíveis locais”, revelou Monteoliva. A ministra antecipou que está “pronta para emitir duas resoluções para a montagem dos comandos unificados”.

A organização da visita está a cargo da secretária-geral da Presidência, Karina Milei, que liderou uma mesa interministerial com funcionários do Gabinete nacional e do Governo da Cidade. Participaram do encontro o núncio apostólico Michael Wallace Banach e os sacerdotes Matías Taricco e Máximo Jurcinovic, integrantes da Comissão Nacional para a Preparação da Visita.

A turnê sul-americana

Antes de chegar à Argentina, Leão XIV visitará o Uruguai entre 6 e 8 de novembro, com atividades em Montevidéu, Paysandú e Florida. Depois de sua estadia no país, seguirá para o Peru, com visitas previstas a Lima, Chiclayo, Cusco e Pucallpa.

O itinerário completo só será conhecido em meados de setembro, segundo adiantou García Cuerva. Enquanto isso, as dioceses, paróquias e movimentos de todo o país já começaram a organizar viagens e contingentes, embora ainda não saibam em que dia o Papa estará em cada lugar.

“A pergunta já não é se Leão XIV vem. A pergunta que milhares de argentinos precisam que alguém responda é quando, onde e como poderão encontrar-se com ele”, sintetizou o analista Guillermo Marcó em uma coluna publicada pelo Infobae.