Professores universitários argentinos, organizados na CONADU Histórica e outros sindicatos, realizam uma greve nacional de 18 a 22 de agosto. Eles exigem a implementação da Lei de Financiamento Universitário, reajuste salarial e fundos para hospitais. A Universidade Nacional de Rosário (UNR) adere à paralisação. O governo defende sua gestão e afirma ter cumprido com as transferências.

Semana de protesta nas universidades públicas

O retorno às aulas após o feriado de 17 de agosto será marcado por novas medidas de força nas universidades nacionais. Os professores universitários voltam à greve nesta semana, em um conflito aberto com o governo federal por salários, orçamento e o cumprimento da Lei de Financiamento Universitário. Na Argentina, as universidades públicas são gratuitas e financiadas pelo Estado. A CONADU (Confederação Nacional dos Docentes Universitários) é uma das principais entidades sindicais do setor.

A CONADU Histórica confirmou uma paralisação que começa na terça-feira, 18 de agosto, e se estende até sábado, 22 de agosto. Na prática, durante terça, quarta, quinta e sexta, as atividades acadêmicas das instituições afetadas podem ser prejudicadas pela adesão dos professores.

Em Rosario, os professores da Universidade Nacional de Rosário (UNR), organizados no Coad, confirmaram adesão à greve nacional. A protesta contará com a participação de federações docentes e associações de universidades de todo o país.

Os reclamos: lei, salários e hospitais

As principais reivindicações dos sindicatos estão relacionadas à Lei de Financiamento Universitário, cuja aplicação vem sendo cobrada há meses. As organizações sindicais denunciam que o governo não implementou integralmente a norma sancionada pelo Congresso e também reivindicam recomposição salarial e mais recursos para as universidades públicas. Segundo os sindicatos, o Poder Executivo está há vários meses sem executar a lei aprovada pelo Congresso e também não teria aplicado a atualização salarial reivindicada com base em decisões judiciais. Além disso, questionam a falta de transferência de um aumento de 20% destinado a gastos de funcionamento das universidades e de uma verba extraordinária de 50 bilhões de pesos para os hospitais universitários.

O conflito também tem uma dimensão judicial. A Justiça manteve a obrigação de avançar com determinados aspectos do financiamento, enquanto as universidades e os sindicatos sustentam que o governo ainda não cumpriu integralmente o estabelecido.

Mais greves no fim do mês

O conflito não terminará com a medida desta semana. FEDUN e FATUN, federações que representam professores e trabalhadores não docentes universitários, já anunciaram uma greve de 48 horas para 27 e 28 de agosto. Por sua vez, a CONADU também confirmou uma greve de 48 horas para essas datas e mantém um plano de luta que inclui atividades de protesto e visibilização em frente ao Palácio Pizzurno.

A resposta do governo

A pasta comandada por Sandra Pettovello confirmou, por meio da Subsecretaria de Políticas Universitárias, o pagamento das transferências aos hospitais universitários e o cumprimento da ata paritária assinada em 10 de junho com os sindicatos docentes e não docentes. Segundo a própria ministra, o detalhamento das transferências ficou assim:

UniversidadeResoluçãoValor
Universidade Nacional de CuyoResolução N.° 427/262.259.960.000 pesos
Universidade de Buenos AiresResolução N.° 420/2620.000.000.000 pesos
Universidade de Buenos AiresResolução N.° 484/2620.000.000.000 pesos
Universidade Nacional de CórdobaEm tramitação2.259.960.000 pesos
Universidade Nacional de La RiojaEm tramitação380.260.885 pesos

Além disso, o governo já transferiu a soma de 666.823.011.021 pesos do orçamento vigente em conceito de Gastos com Pessoal e Aumentos Salariais, correspondentes a junho de 2026 e à primeira parcela do 13º salário de 2026. O comunicado do ministério destaca que 'continua cumprindo a ata paritária assinada em 10 de junho' e que 'os aumentos salariais acordados estão sendo pagos de acordo com os montantes, prazos e cronograma estabelecidos'.

Nodocentes respondem às críticas

Em meio ao conflito, a Comissão Interna Nodocente de Odontologia da UBA emitiu um comunicado respondendo às declarações da direção do CEFO/Graduados, alinhada aos radicais e à gestão, que questionou a medida de força. Os nodocentes afirmaram: 'Com a greve defendemos nossos direitos e a Universidade Pública'. No comunicado, os trabalhadores disseram que 'uma greve não é motivo de festa. É uma medida de força diante de reivindicações que não são ouvidas. E esta greve não é contra estudantes nem pacientes: é contra o ajuste do governo e pelo cumprimento da Lei de Financiamento Universitário'. Além disso, rejeitaram qualquer tentativa de opor estudantes e pacientes aos trabalhadores: 'O direito de estudar e ser atendido não se opõe ao direito de ensinar e trabalhar dignamente. Ambos fazem parte da defesa da Universidade Pública'. Concluíram: 'Defender a Universidade Pública não pode se reduzir a discursos, publicações ou campanhas de comunicação. A Universidade se defende organizando-se, mobilizando-se e fazendo greve'.

Contexto e próximos passos

O conflito permanece aberto apesar das diferentes instâncias de negociação entre funcionários, reitores e representantes sindicais. Os sindicatos sustentam que as respostas oficiais foram insuficientes e decidiram aprofundar as medidas de força. O governo, por sua vez, defende sua política orçamentária e afirma ter avançado com melhorias para o sistema universitário dentro das restrições fiscais. A disputa pelo financiamento universitário volta assim a ocupar o centro da agenda educativa e ameaça complicar o desenvolvimento normal do segundo semestre em várias universidades públicas do país.

Fontes: Rosario3 | Ámbito | La Izquierda Diario