O empresário, apresentador de TV e ativista pelos direitos dos animais faleceu após uma longa batalha contra um câncer de glândulas salivares em estágio 4. Ele fundou sua agência de modelos em 1996 e representou figuras como Pamela David, Jésica Cirio e Rocío Marengo. Nos últimos meses, transformou sua doença em uma mensagem de conscientização e esperança.

Adeus a um pioneiro do mundo da moda argentina

Em 7 de agosto de 2026, faleceu Leandro Rud aos 51 anos, internado no Sanatorio Finochietto em Buenos Aires, onde recebia tratamento de quimioterapia há vários dias para um câncer nas glândulas salivares que já havia feito metástase nos ossos, fígado, esôfago e pulmões.

Nascido em 19 de setembro de 1974 em Buenos Aires, Rud foi uma das figuras mais influentes nos bastidores do espetáculo argentino. Seu pai, Carlos Rud, era empresário têxtil, e sua mãe, Marta López, professora. Cresceu com seus irmãos Mariana e Gustavo, que foram pilares fundamentais em sua vida, especialmente nos últimos anos.

De vendedor de materiais a criador de uma potência em modelos

Antes de se tornar o representante mais reconhecido do país, Rud teve vários empreendimentos. Como contou em uma entrevista em 2010, começou trabalhando com seu pai vendendo materiais finos para construção, depois tentou uma agência de viagens pequena e, finalmente, encontrou sua vocação.

“Comecei com promotoras distribuindo panfletos em um supermercado. Depois me aventurei a organizar um desfile pequeno que, hoje, penso que foi um desastre. Mas um dia, Jimena Cyrulnik foi contratada para apresentar na Versus e a partir dali o rumo da minha agência decolou”, relatou Rud na ocasião.

Em 1996, fundou sua agência de modelos e a transformou, por quase duas décadas, em uma das mais prestigiadas da Argentina. Sob sua direção, representou figuras que marcaram época na televisão local, como Jésica Cirio, Pamela David, Rocío Marengo, Mariana Antoniale e Jimena Cyrulnik, entre muitas outras.

A doença que mudou tudo

Em 2014, Rud começou a sentir ataques de pânico e cansaço constante. Os exames iniciais não mostravam resultados conclusivos e os médicos não encontravam uma causa clara para seus sintomas. Foi uma tomografia que revelou a presença de um tumor maligno nas glândulas salivares — uma doença rara — que já havia feito metástase nos ossos.

Embora o primeiro diagnóstico tenha vindo em 2014, foi somente em 2021 que os médicos identificaram com precisão o tipo específico de câncer: um câncer de parótida — a maior glândula salivar — em estágio 4, a fase mais avançada da doença.

Foi nesse momento que Rud tomou a difícil decisão de fechar sua agência. Como confessou a Pamela David — uma de suas representadas e apresentadora do programa Desayuno Americano na época —: “Estou superado, com ataques de pânico o tempo todo, não aproveito nada. Sinto que completei um ciclo. Prefiro sair sem dever dinheiro a ninguém, dar um passo ao lado e que todos fiquem felizes”.

Um novo capítulo na televisão

Após se afastar do mundo empresarial, Rud encontrou um novo espaço na televisão. Apresentou o programa La Noche, primeiro na C5N e depois no Canal 9, onde abordou temas de interesse geral e compartilhou abertamente sua experiência com a doença. Da tela, suas palavras alcançaram aqueles que passavam por situações semelhantes, tornando-se uma voz de incentivo e conscientização.

A luta contra o câncer e os obstáculos para acessar a medicação

Em uma entrevista ao Puro Show um ano antes de sua morte, Rud falou abertamente sobre sua situação: “A única coisa que tento hoje é ficar com meus cachorros, ir para o campo, ficar lá e continuar meu tratamento, que é bastante complicado”, confessou, recebendo tratamentos uma ou duas vezes por semana em um sanatório. “A verdade é que não estou bem, é impossível”, acrescentou com honestidade.

Um dos maiores obstáculos que enfrentou foi a falta de acesso a um medicamento que seus oncologistas de primeira linha consideravam necessário. “Meu plano de saúde não autoriza porque meu câncer é raro. Então, a medicação é aprovada para outros tipos de câncer, como o de mama, mas não para o meu”, afirmou com indignação. Teve que recorrer à Justiça para reivindicar o medicamento e, enquanto esperava uma resolução, perdeu dez dias de tratamento.

“É uma luta dupla. Não só tenho que lutar contra a doença, mas também contra o sistema para acessar a medicação que preciso. Muita gente me diz: 'Eles querem nos mortos'. Não recebem a medicação, se cansam de lutar e acabam perdendo a batalha não só contra a doença, mas contra a burocracia”, lamentou Rud.

O processo com quimioterapia

Em 5 de junho de 2026, Rud publicou em seu Instagram o início do tratamento de quimioterapia no Sanatorio Finochietto:

“Depois de 6 anos de tratamento, hoje os médicos decidiram começar com quimio. Veremos como será essa experiência. Momentos difíceis da vida. Muita medicação me derruba. Temos que nos adaptar. Ao que vier”.

Dias depois, mostrou as sequelas físicas e revelou que seu câncer era estágio 4, afetando cabeça, pescoço, glândulas salivares, ossos, fígado e pulmão. Precisava se alimentar por sonda.

“Lute, que a vida vale a pena”

Em maio de 2026, Rud publicou uma mensagem que viralizou: “Passei três vezes por câncer 4 e tento me levantar todos os dias, correr, caminhar e nadar. Meus cachorros de rua me ajudam muito. Enquanto a pessoa puder andar e estar consciente, tem que lutar”.

Sua rede de apoio

  • Sua mãe e sua irmã, pilares emocionais
  • Oncologistas: Ramiro Heredia, Nicolás González e Daniel Campos
  • Seis cachorros resgatados da rua, que o esperaram em um abrigo durante os meses em que não teve forças para cuidar deles
  • Natação em águas frias, convencido de que ajudava a frear a metástase

“Ele sabia que ia morrer”

Segundo revelou Pamela David no programa Sálvese Quien Pueda, ela manteve contato com Rud durante seus últimos meses e ele antecipou o que iria acontecer. “Este ano, ele me disse: 'Eu em algum momento vou morrer. É assim'”, compartilhou a apresentadora, que explicou que o empresário queria vender tudo porque estava consciente da gravidade de seu estado: “Ele tinha um câncer na cabeça que tomou tudo”.

Por sua vez, Alejandra Maglietti, painelista do mesmo programa, confessou estar “chocada” com a notícia: “Não percebi que ele estava tão grave. Como o via fazendo o programa e o seguia vendo em muitos lugares, não imaginei que realmente fosse tão grave”, reconheceu com angústia.

Um legado de luta e amor pelos animais

Rud foi um ativista convicto pelos direitos dos animais. Seus seis cachorros, todos resgatados da rua, foram parte fundamental de sua vida e de seu tratamento emocional. “Meus cachorros de rua me ajudam muito”, repetia em cada mensagem de incentivo que compartilhava com seus seguidores.

Também nadou no Canal da Mancha, um dos desafios aquáticos mais exigentes do mundo, como parte de sua filosofia de vida: enfrentar a doença com coragem e determinação, mas também com alegria e gratidão por cada dia.

“Foram dias muito difíceis. Lute, que a vida vale a pena.”

— Leandro Rud, maio 2026

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