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Ciência e esperança contra o HIV: a urgência de não perder a vitória

29/07/2026 04:47 - Salud

Um momento crucial na luta global contra a Aids

Pela primeira vez em um país da América Latina, realizou-se no Rio de Janeiro, Brasil, a XXVI Conferência Internacional sobre a Aids (AIDS 2026), iniciada em 27 de julho de 2026. O evento reúne líderes da ONU, ministros da saúde e ativistas com uma mensagem central: temos a ciência para vencer essa batalha, mas precisamos de vontade política. A Unaids (Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids) é o principal responsável por coordenar os esforços globais contra a epidemia.

Conquistas históricas que inspiram esperança

O novo relatório da Unaids, intitulado 'Unidos para acabar com a aids', revela dados extraordinários. Desde o pico da epidemia, as novas infecções caíram 65% e as mortes relacionadas à aids foram reduzidas em 73%. Hoje, mais de 32 milhões de pessoas recebem tratamento antirretroviral (medicamentos que controlam a replicação do vírus), salvando mais de 28,5 milhões de vidas.

Na América Latina e no Caribe, as mortes relacionadas à aids diminuíram 46% entre 2010 e 2025, e o acesso à profilaxia pré-exposição (PrEP - medicação preventiva para pessoas sem o vírus) saltou de 35.000 pessoas em 2020 para mais de 326.000 em 2025. Pôr fim à aids até 2030 continua ao nosso alcance, afirmou Tedros Adhanom Ghebreyesus, secretário-geral da OMS (Organização Mundial da Saúde).

O desafio financeiro e a desigualdade

No entanto, a diretora-executiva da Unaids, Winnie Byanyima, alertou que o progresso é frágil. Em 2025, 1,2 milhão de pessoas contraíram o HIV e 570.000 morreram de doenças relacionadas. Hoje, 8,9 milhões de pessoas que vivem com o vírus não têm acesso ao tratamento, incluindo 45% das crianças com HIV.

O corte no financiamento internacional é a principal ameaça. Segundo informaram meios de comunicação como Infobae e La Gaceta, os fundos para países em desenvolvimento caíram 6% no último ano, totalizando 17,6 bilhões de dólares. Os Estados Unidos, que financiam 74% da ajuda governamental, reduziram as verbas, enquanto a contribuição europeia acumula uma queda de 58% desde 2011, segundo detalha o Yahoo Vida y Estilo.

Inovação médica ao resgate

A ciência oferece ferramentas revolucionárias. O Lenacapavir, um antirretroviral injetável de ação prolongada aplicado apenas duas vezes ao ano, promete mudar o cenário. No entanto, a organização humanitária Médicos Sem Fronteiras denunciou que, enquanto sua produção em massa custaria 40 dólares por pessoa ao ano, no mercado dos EUA é comercializado por 28.000 dólares. A farmacêutica Merck, por sua vez, anunciou planos para licenciar a fabricação de versões genéricas de sua pílula mensal preventiva, Alimatravir, na África e na Índia.

A inovação só muda vidas quando as pessoas podem acessá-la, ressaltou Jarbas Barbosa, diretor da Opas (Organização Pan-Americana de Saúde).

Direitos humanos e ativismo

A estigmatização também freia o avanço. Atualmente, 66 países punem as relações entre pessoas do mesmo sexo, 168 o trabalho sexual e 14 as pessoas trans. A ativista belizenha Erika Castellanos, de 50 anos, que vive com HIV desde 1995, emocionou ao relatar sua experiência: 'Estou viva hoje graças à ciência, ao ativismo e a uma comunidade que se organizou. Financiem essa resposta como se vidas dependessem disso, porque é assim'.

A comunidade global, reunida no Brasil, envia uma mensagem de esperança e urgência: a meta de erradicar a Aids até 2030 é alcançável se os recursos e a empatia acompanharem a ciência. (Fontes: El Destape, EFE).

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A Coluna de Alfredo Alfredo S. Quiroga

Alfredo S. Quiroga