27/07/2026 21:09 - Judiciales
A operação traz esperança ao mostrar que as forças de segurança conseguem desarticular organizações que violam os direitos dos cidadãos mais vulneráveis.
No âmbito de uma investigação federal, a Justiça argentina conseguiu desbaratar uma organização dedicada ao recrutamento de mercenários para enviá-los ao front da guerra entre Rússia e Ucrânia. A figura penal escolhida pelos promotores não é recrutamento militar, mas sim tráfico de pessoas, um crime que pune a exploração e o engano, demonstrando o compromisso do Estado com a proteção dos cidadãos.
Em 25 de julho de 2026, o Departamento Antisequestros Norte da Polícia Federal prendeu Griselda Inés Ortiz (45), ex-integrante da Polícia Bonaerense (a polícia da província de Buenos Aires). A operação foi realizada em um cortiço na localidade bonaerense de Tigre, localizado na rua Alfonsina Storni 195.
Ortiz deverá comparecer perante o juiz Luis Armella, que substitui o Juizado Federal nº 2 de Lomas de Zamora, a pedido do promotor federal Sergio Mola. A ex-fardada é investigada por liderar, junto com seu companheiro, o recrutamento de pessoas para o conflito bélico europeu.
A causa ganhou impulso em 11 de março de 2026, quando a Polícia de Segurança Aeroportuária (PSA) detectou quatro homens na área de pré-embarque do Aeroporto Internacional de Ezeiza. Eles apresentavam inconsistências em seus relatos: nenhum sabia quem havia comprado as passagens, quem os receberia na Europa nem quais seriam suas tarefas. Também não tinham passagens de volta.
As passagens eram de ida para Istambul, Turquia, com conexão em Chisinau, República da Moldávia, para depois entrar na Ucrânia. A promessa era realizar tarefas de 'reconstrução de infraestrutura' como pedreiros, mas na verdade iriam lutar. Era oferecido um salário de US$ 3.000 mensais e eles eram instruídos a mentir para as autoridades.
O companheiro de Ortiz, um ex-agente da Polícia Federal Argentina (PFA) que depois passou para a Polícia da Cidade de Buenos Aires e foi demitido, encontra-se foragido. Acredita-se que tenha fugido para o Brasil em 29 de junho de 2026, poucas semanas antes da operação.
No domicílio da detida, os investigadores apreenderam elementos contundentes: uma pistola, vários emblemas do exército ucraniano, formulários para recrutamento, crachás policiais com seu número de registro e um aplicativo Binance com fundos congelados. Segundo detalhou Infobae, Ortiz havia sido identificada em 2025 em um site pró-Rússia como uma das mercenárias latino-americanas no conflito.
O tráfico de pessoas é definido como o recrutamento, transporte e recebimento de indivíduos mediante engano, coação ou abuso de situação de vulnerabilidade com fins de exploração. Neste caso, a exploração equivale a enviar pessoas a um conflito armado sob falsas promessas de trabalho.
A Procuradoria de Tráfico e Exploração de Pessoas (Protex), liderada por Marcelo Colombo e Alejandra Mángano, vem alertando sobre esse fenômeno. A Interpol Colômbia já havia emitido um Alerta Roxo para essa modalidade regional, onde as vítimas sofrem confisco de documentos, isolamento e dívidas fictícias ao chegar ao destino.
Graças à articulação entre a PSA, a Polícia Federal e a Protex, foi possível frear essa organização, enviando uma mensagem de esperança e proteção às potenciais vítimas e suas famílias. O Ministério das Relações Exteriores argentino também acompanha o caso após receber pedidos de ajuda de argentinos que já estão presos na Ucrânia.
Fontes consultadas: Rosario3, Infobae, Cba24n e La Brújula 24.
Alfredo S. Quiroga